No universo dinâmico da tecnologia, onde a inovação e a juventude frequentemente são associadas, um desafio persiste: o etarismo. Esse preconceito etário pode dificultar a inserção e permanência de pessoas mais “velhas” no setor, gerando barreiras tão complexas quanto desnecessárias. Mas, afinal, existe uma idade certa para ingressar na tecnologia?
Minha Trajetória
Eu, Braynner de Carvalho, sou uma mulher trans de 55 anos, natural de Recife (PE), e me considero um exemplo vivo de que não há um momento exato para iniciar uma carreira na tecnologia. Minha jornada no setor começou aos 51 anos, durante a pandemia de Covid-19, por meio de projetos sociais voltados para o coletivo transgênero. Com perseverança, resiliência e alguns medos, eu conquistei uma posição em uma empresa de tecnologia, onde atuo há quatro anos, passando por uma promoção e consolidando-me como designer.
Os desafios
Embora a tecnologia seja um campo que valoriza habilidades e criatividade, o etarismo ainda se manifesta de diversas formas. O acesso desigual às novas tecnologias pode ser um obstáculo significativo para quem ingressa mais tarde na área. A falta de incentivo para capacitação contínua e a ideia de que a capacidade de aprendizado diminui com a idade são mitos que perpetuam essa discriminação.
Além disso, os encontros de gerações dentro das empresas podem gerar tanto impactos positivos quanto negativos. Enquanto a troca de experiências entre profissionais jovens e mais experientes é uma oportunidade para enriquecer a cultura organizacional, a falta de um ambiente inclusivo pode gerar situações de exclusão e subestimação das capacidades de profissionais mais “velhas”.
A síndrome da impostora
Para muitas que entram na tecnologia após os 50 anos, a “síndrome da impostora” pode ser um obstáculo adicional. O sentimento de não pertencimento e a dúvida sobre a própria competência podem levar a um bloqueio profissional. O ambiente predominantemente jovem e o ritmo acelerado da indústria podem acentuar essa sensação, dificultando a adaptação e o desenvolvimento confiante da carreira.
Superando barreiras
Minha história é um testemunho poderoso de resiliência e superação. Minha inserção no mercado e crescimento profissional demonstram que a tecnologia deve ser um setor acessível a todos, independentemente da idade.
Para que isso se torne uma realidade concreta, algumas ações devem ser promovidas, como:
- Capacitação contínua: investir em programas de educação e formação para profissionais 50+, garantindo acesso a novas tecnologias e tendências.
- Cultura organizacional inclusiva: criar ambientes de trabalho que valorizem a diversidade etária e incentivem a colaboração intergeracional.
- Promoção de representatividade: destacar histórias de sucesso de profissionais que ingressaram tardiamente na área para inspirar outros e combater preconceitos.
- Suporte psicológico e mentoria: oferecer apoio para lidar com a “síndrome da impostora”, por exemplo, e fortalecer a confiança das profissionais.
Conclusão
A carreira em tecnologia não deve ter idade. O talento, a criatividade e a capacidade de inovação transcendem questões etárias e de gênero. Minha jornada faz lembrar que a inclusão e a diversidade não são apenas necessárias, mas essenciais para um setor mais justo e inovador. Na Proga[m]aria, que celebra seus 10 anos de existência, refletir sobre etarismo em tecnologia é um passo crucial para um futuro em que o potencial humano é valorizado em todas as suas formas e fases da vida.
Este conteúdo faz parte da ProgaMaria Sprint Primeiros Passos em Tecnologia
CRÉDITOS
Autora
Braynner Silva de Carvalho, UX Designer na Accenture. É uma travesti de 55 anos, natural de Recife-PE. Com uma trajetória que começou nas artes, formada como atriz e bailarina, desenvolveu um olhar sensível para estética e expressão. Após anos atuando em produção e gestão cultural, migrou para UX/UI Design, onde combina arte e funcionalidade para criar experiências intuitivas e acessíveis.
https://www.linkedin.com/in/braynnercarvalho/
Revisora
Luciana Fleury, jornalista
https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/
Autora
Braynner Silva de Carvalho, UX Designer na Accenture. É uma travesti de 55 anos, natural de Recife-PE. Com uma trajetória que começou nas artes, formada como atriz e bailarina, desenvolveu um olhar sensível para estética e expressão. Após anos atuando em produção e gestão cultural, migrou para UX/UI Design, onde combina arte e funcionalidade para criar experiências intuitivas e acessíveis.
https://www.linkedin.com/in/braynnercarvalho/
Revisora
Luciana Fleury, jornalista https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/