Nunca é tarde para mudar. No entanto, é necessário estarmos preparadas para mudanças. Um dos caminhos que nos direciona a grandes mudanças é o aprendizado. Aprender a aprender foi uma descoberta que mudou a minha trajetória profissional, e, consequentemente teve (e ainda tem) impacto na vida pessoal. Vivemos na era da infodemia, onde o excesso de informações pode afetar negativamente nossa busca por mais conhecimento. Por isso, é essencial definirmos objetivos claros e descobrirmos a forma como gostamos de aprender para que o aprendizado faça sentido.

Eu lia, mas não aprendia

Sou a Belkis e tenho 50 anos. Comecei a aprender “informática” em meados de 1994, quando ingressei na faculdade e consegui um estágio poucos meses depois. Era o cenário perfeito: estudar e trabalhar na mesma área. Porém, por mais que eu gostasse de aprender coisas novas, não conseguia evoluir como desejava. Cheguei a pensar que estava na área errada, que deveria mudar de curso. Demorei um pouquinho, mas compreendi que a forma como eu tentava estudar não me deixava confortável, logo, eu lia, mas não aprendia.

Comecei a tentar outras formas de estudar. Conversei com colegas que tinham boas notas, perguntava como se organizavam, mas nenhuma tentativa trazia o resultado esperado. “Como pode dar certo com uma pessoa e não dar certo com a outra?”, eu me perguntava. E, então, descobri a resposta: não somos iguais. Cada pessoa absorve o conhecimento de maneira diferente.

E como eu descobri a minha forma de aprender?

Na era digital de 1994 não havia nem 30% dos recursos e acessos a informação que temos hoje. Peguei um papel (meu processo criativo é analógico) e comecei a listar tudo o que eu gostava de fazer, como gostava de executar e o que tinha dificuldade. Coisas simples, desde “gosto de conversar”, “gosto de fazer amizades”, “gosto de conhecer novos lugares e pessoas”. Coloquei tudo isso na primeira coluna, e, na coluna ao lado, eu descrevi como eu praticava cada uma dessas coisas. Entre a maioria dos itens da minha lista, um ponto ficou evidente: eu gostava de trocar informações. E dessa forma, descobri que amo dividir conhecimento. Ok, mas e o que fazer com isso?

Ao pensar em como eu poderia aplicar essa descoberta no meu dia a dia, percebi que deveria estudar os assuntos o suficiente para conseguir explicar para alguém.

Métodos e técnicas funcionam melhor se tivermos autoconhecimento

Se conhecer e reconhecer nossos talentos e capacidades, bem como nossos pontos a desenvolver, são importantes aliados no processo de aprendizado contínuo. O autoconhecimento ajuda a definir metas realistas, a gerenciar melhor o tempo e alinhar aspirações pessoais com oportunidades profissionais. Não basta desenhar um plano de estudos. É necessário criar um compromisso para executá-lo.

No contexto da tecnologia, onde o aprendizado é permanente, o autoconhecimento possibilita que você adapte seu plano de estudos conforme evolui, tornando o processo mais leve e eficiente.

Por exemplo, eu reconheço que tenho uma excelente memória fotográfica e péssima memória auditiva. Sabendo disso, sempre que possível recorro a métodos que utilizam vídeos e imagens e, quando não é possível — porque nem sempre podemos determinar a forma como o conhecimento chega —, pego um caderninho e faço minhas anotações.

Minha técnica para aprender: na era digital nem tudo é tecnologia

Iniciei com uma planilha simples. Nela, listei o que eu deveria aprender, o motivo do aprendizado, se eu gostava ou não do assunto, qual o prazo para alcançar esse conhecimento e quais recursos eu tinha disponíveis. Não dá para escolher somente o que gostamos, essa listinha deixou isso muito claro.

Desde então, cada novo tópico no meu desenvolvimento, como um desafio no trabalho, um novo curso, eu incluo na lista, sempre. O resultado me ajuda a entender onde eu devo ou não me dedicar mais, e a visualizar o impacto que terá na minha vida acadêmica, pessoal e profissional.

Revisito periodicamente minhas anotações. Organizei as tarefas da planilha numa Matriz de Eisenhower, modelo que ajuda a decidir as prioridades, divididas em quatro categorias:

  1. Urgente e importante (fazer agora)
  2. Importante, mas não urgente (dá tempo de planejar)
  3. Nem importante, nem urgente (bora focar em outra coisa)
  4. Urgente, mas não importante (dá para reduzir)

Esse método baseia-se na premissa de que uma tarefa importante não é necessariamente urgente, assim como uma tarefa urgente não é necessariamente importante. O impacto nos estudos é notório: evito a procrastinação, reduzo o estresse e mantenho o foco.

Como aprender a aprender

O uso da Matriz de Eisenhower é apenas o ponto de partida. A trajetória, em um mercado em constantes mudanças como o de tecnologia, é a construção de repertório.

Afinal, o repertório não se restringe ao conhecimento técnico aplicado no trabalho. Vai muito além. O repertório é pessoal e envolve um conjunto de informações, experiências e práticas a que uma pessoa é exposta ao longo da vida e que vai sendo acumulado em uma caixa de ferramentas pessoal. Quando é exposto a um desafio, o profissional pega uma ferramenta específica do seu repertório na busca pela solução.

Uma dica para a construção de seu repertório: não foque apenas no novo ou no seu ecossistema. Aquele livro que você leu anos atrás pode render um insight; um bate-papo com uma pessoa de outra área do conhecimento pode apresentar novas perspectivas sobre o mesmo assunto (isso é diversidade!). Saiba que tudo o que você consome de informação no decorrer da sua vida pode ser útil no trabalho. Por isso, cuide da sua alimentação informativa!

Hábitos simples

Aqui estão algumas formas que funcionam para mim e otimizam meu aprendizado, tornando-o mais eficiente:

  • Mantenho um aprendizado ativo. Ao invés de simplesmente consumir informações passivamente, busco praticar ativamente o que aprendo. Tento resolver desafios práticos, crio projetos, ensino outras pessoas.
  • Procuro exercitar meu cérebro com repetições espaçadas. Sempre que possível reviso o que aprendi, cuidando para ter foco e revisar o que realmente faz sentido.
  • Organizo o conteúdo em resumos como se eu fosse ensinar alguém. Simplificar a explicação ajuda a memorizar.
  • Procuro outras formas de aprender. Assisto a vídeos, faço mapas mentais, leio artigos. Para quem o aprendizado auditivo é mais eficiente, podcasts são ótimos!
  • Faço pequenas pausas quando estudo. Isso evita a fadiga mental e melhora a produtividade.
  • Defino metas e recompensas para cada etapa alcançada. Isso torna o aprendizado motivador.
  • Compartilho dificuldades e conquistas. Participar de comunidades com os mesmos objetivos faz com que eu aprenda de forma diferente e colaborativa.

Conclusão

O pulo do gato é desenvolver um olhar de apreciação para o aprendizado, a partir da curiosidade de querer entender como as coisas funcionam e são construídas (até as aparentemente irrelevantes) e como as pessoas agem. Ser curiosa nutre a vontade de aprender. Questione como alguém de outra área aprende e veja se – e como – isso pode ajudar no seu próprio desenvolvimento. Além disso, sempre que você estiver diante de uma oportunidade de aprender, de fazer algo diferente, aproveite! 

 

REFERÊNCIAS


Este conteúdo faz parte da ProgaMaria Sprint Primeiros Passos em Tecnologia

CRÉDITOS

Autora

Belkis Rosa, VP do Instituto Elas Prosperam e cofundadora da BL Consulting, Especialista em gestão de pessoas e diversidade. Atua em iniciativas que impulsionam o empreendedorismo feminino, a inclusão, educação, acessibilidade e o desenvolvimento de lideranças e negócios. Possui experiência como consultora de tecnologias para RH, com uma visão estratégica sobre como inovação e tecnologia podem transformar a gestão de pessoas e a cultura organizacional.. https://www.linkedin.com/in/belkisrosa

Revisora

Luciana Fleury, jornalista https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/